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ZÉ PELINTRA: NA UMBANDA, O MALANDRO. NO CATIMBÓ, O DOUTOR.

  • Foto do escritor: Luiz de Miranda
    Luiz de Miranda
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

Imagem ilustrativa de Zé Pilintra

Poucas são as Entidades de Umbanda que carregam tantas histórias e lendas como o Senhor Zé Pelintra: no nordeste é mestre na Jurema Sagrada, no Pará e no Maranhão é doutor na Pajelança, no Rio de Janeiro é o malandro carioca defensor dos fracos e oprimidos, o advogado dos pobres. Há quem diga que é o mesmo Zé em diferentes cultos, mas há também quem afirme não ser o mesmo. Até hoje nada se resolveu sobre esse impasse. O que se sabe, é que Zé Pelintra por onde passa ganha fama e seguidores, realizando grandes feitos.

Na linguagem popular os nomes Zé, é abreviatura de José, e, Pelintra ou Pilintra significa alguém bem vestido, mas, com pouco dinheiro.

A Macumba carioca, que tem sua origem no final do século XIX e início do século XX, é a grande responsável pela fama de malandro associada a Zé Pelintra. No entanto, sem negar sua origem nordestina. Pois, entende-se que todas as histórias associadas a esta Entidade se cruzam e formam um grande mosaico de rezas, curas, quebras de demanda e acolhimento aos injustiçados.

No Rio de Janeiro, a história que é contada sobre o rei da malandragem, diz que ele nasceu no Morro de Santa Teresa e que era um médium que incorporava um Juremeiro, que fazia muitas curas e trabalhos espirituais. Retrato do malandro carioca, conhecia bem as leis do morro. Exímio capoeirista, manuseava punhal e navalha com destreza. Amado pelas prostitutas, as quais defendia contra a exploração e maus tratos.

Nos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro, encontra-se um Santuário dedicado a esta carismática e sábia Entidade de Umbanda.

Seus trabalhos nos Terreiros são destinados a proteção, abertura de caminhos, relações amorosas e financeiras. Seu Zé é aquele amigo de fé, irmão camarada que ensina seus devotos a caminharem com as próprias pernas e conquistarem seus objetivos. Seu Zé é o malandro que passa a perna na falsidade, dribla as dificuldades e bebe pra comemorar. Ensina que nunca se deve confiar cem por cento em ninguém, para não sofrer com a decepção. Ensina que amar só é bom se for pra valer, e que quem nunca chorou por amor ainda não aprendeu a viver.

Salve a malandragem!

Salve Zé!

Saravá Seu Zé Pelintra.




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Anderson Freire
Anderson Freire
há 7 horas
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Salve a malandragem!

Salve Zé!

Saravá Seu Zé Pelintra!

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SUA FÉ É RESPEITADA?

          No ano de 1990, meses antes de perder sua irmã de 29 anos de idade para um adenocarcinoma no mediastino, o Pai no Santo passa por uma experiência extremamente desagradável e revoltante, que bem retrata o racismo religioso no Brasil. Isso aconteceu no Iaserj, um hospital para os servidores do Estado do Rio de Janeiro. Era por volta das dezesseis horas. Enquanto acompanhante da irmã, ele decide ir tomar café num bar próximo ao hospital e retorna vinte minutos depois. Tempo que foi suficiente para um pastor entrar no quarto e oferecer uma oração. Voltando então do seu café, ele encontra a irmã que já vinha extremamente debilitada por conta da doença, agora, com semblante ainda mais triste e constrangido. Ele então procura levar palavras de consolo e ânimo, ao que ela responde: “_ Meu irmão, por favor, não quero que esse tipo de religioso venha fazer oração pra mim.” Ele de imediato, pergunta:  “_ O que houve?” Ela então relata o ocorrido: “_ Quando você saiu para tomar seu café, um homem de terno se apresentou como pastor da igreja universal e me perguntou se podia fazer uma oração pra mim, Como ele parecia ser uma boa pessoa e foi muito educado, eu disse que sim. Ele fez a oração, pediu pela minha saúde, e em seguida me perguntou se eu aceitava Jesus Cristo como salvador, e eu respondi que sim. Ele então disse que a partir daquele momento eu estava curada. Só que ele então perguntou qual era minha religião, o que eu respondi, que era espírita. Então ele me disse que eu teria que renegar minha religião. Eu disse que não, jamais iria renegar minha fé. Daí ele falou que infelizmente o câncer voltaria e me levaria pros braços da morte. Eu disse a ele que preferia morrer, a ter que conviver com cristãos como ele. Não quero irmão, não quero esse tipo de gente fazendo oração pra mim.”

            Em outra ocasião, anos depois, o racismo e a intolerância religiosa voltam a atacar o Pai no Santo. Dessa vez, no Hospital Regional Darci Vargas, em Rio Bonito. Indo visitar um Filho de Santo na Unidade Intensiva, o Pai no Santo se depara com uma senhora que estava ao lado do leito de seu filho perguntando se podia fazer uma oração. Como o doente estava sob efeito de fortes medicamentos, não tinha condições de responder; o que fez com que a mulher iniciasse a sua oração. Em voz alta e de tom feroz, ela dizia: “ _ Em nome do Senhor Jesus eu expulso os demônios de Pombagira, Exu, Ogum e todos os demônios dos tambores, das encruzilhadas... .” quando então foi interrompida pelo Pai de Santo; gerando na mulher um comportamento agressivo e ameaçador. Dizia ela, agora em tom mais elevado de voz: “_ Você não pode querer calar a voz de uma ministra de Deus. Seus demônios serão jogados por terra... .” quando então o Pai no Santo pediu ao funcionário responsável pela vigilância da Unidade, que retirasse a mulher do ambiente. No que foi prontamente atendido.

            Esses são dois exemplos dos milhares de outros que acontecem todos os dias, atingindo seguidores das religiões de matriz afro-brasileira. E não é à toa, afinal, não faltam umbandistas que se silenciam diante de tais fatos, e como se não bastasse o silêncio, ainda permitem que seguidores de outras religiões lhes imponham sua fé como sendo superior as demais.

            O Umbandista de fato, sabe sua origem, conhece seus Santos, suas rezas, seus cantos e louvores. Não é de hoje que a Umbanda se livrou do peso do sincretismo, dos santos que nunca foram seus, dos ritos e rituais que nunca lhes pertenceram. O Umbandista de fato, sabe a quem recorrer nas horas de aflição e desespero, e não precisa que outro religioso venha em seu socorro para rezar ou orar. Sim, não precisa! Sabe por quê? Porque o Umbandista sabe que aquela pessoa não está oferecendo uma oração para aliviar teu sofrimento. De forma dissimulada, ela quer que o Umbandista negue sua religiosidade, abandone seus Guias e Orixás. Como pode uma pessoa que frequentemente está na igreja ouvindo e dando glórias a voz de um padre ou pastor, e que não mede palavras para demonizar a Umbanda, orar por quem é Umbandista? De que vale uma oração que sai da mesma boca que chama nossos Santos de demônios?

            O Umbandista de fato, sabe o poder de seus Santos, o sangue que derramaram, o suor sofrido e causticante ardendo na pele preta, o fogo impiedoso das fogueiras da inquisição, a lâmina cortante e afiada das guilhotinas. O Umbandista de fato, sabe que seus ancestrais e antepassados morreram para garantir a liberdade aos seus  descendentes. Trazidos à força e amontoados nos navios negreiros, chegam ao Brasil e são obrigados a se batizarem do lado de fora das Igrejas, porque de acordo com as interpretações bíblicas, o preto era um ser sem alma, amaldiçoado...

            Quando um Umbandista respeita outras manifestações religiosas, não quer dizer que ele tenha que se subjugar. Os Santos da Umbanda também têm suas histórias, sua cultura, suas bênçãos e seus poderes.

            Seu Orixá está vivo e pulsante em você. Não deixe que o matem!

                                                                                                   (Luiz de Miranda-Pai no Santo)

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