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OS ANIMAIS E OS ORIXÁS

Ilustração de animais dos Orixás

Todo Umbandista sabe que a sua religião é a natureza. Logo, tem consciência de que tudo que está na natureza, está na Umbanda, e nela, se realizam os cultos que expressam bem sua ligação com as matas (Oxóssi e Caboclos), os rios (Oxum), o mar (Iemanjá), os ventos e tempestades (Iansã), as pedreiras, trovões e raios (Xangô), a terra (Omolu), as estradas (Ogum), as encruzilhadas (Exu), os pântanos (Nanã Buruquê), o ar que respiramos (Oxalá).

                A relação da Umbanda com os animais, não é diferente: cada Orixá tem sua representação ou até mesmo sua extensão, em um ou mais animais, fazendo com que esses seres sejam sagrados para eles e para seus filhos. E não é difícil entender esse comportamento, considerando que desde sempre os animais tiveram e têm grandes representações em várias culturas. Aqui, nos lembramos da afeição e forte ligação que Jesus Cristo tinha com as ovelhas, fazendo com que seus seguidores tomassem esses animais como símbolo do cristianismo, da esperança e do consolo. Na Índia, a vaca é um animal sagrado, pois é considerada um presente da Mãe Divina, e que traz alimentos e fartura para seu povo: o leite, manteiga, queijo e coalhada. Na Tailândia, sudeste asiático, o elefante é símbolo de prosperidade, sabedoria e força, consagrado ao Deus Ganesh. E por aí vai...

                Quando se diz que um determinado animal pertence a um Orixá, quer se dizer que esse animal carrega consigo os instintos primitivos daquele Orixá e de seus filhos, como veremos a seguir:

                Exu: bode - portador de força, resistência e coragem. Estimula a necessidade da autoconfiança para enfrentar as dificuldades do dia a dia, superando obstáculos. São animais de grande vigor e energia). Galo: é o que toma conta, o primeiro que anuncia a chegada de um novo dia. O que dá o alerta. Força, proteção e coragem. Exu divide esse animal também com Ogum.

                Pombagira: gato - sensibilidade e proteção espiritual. Barreira contra energias negativas do ambiente e de pessoas onde se encontram.

              Ogum: cachorro – lealdade, fidelidade e proteção. Bem treinados, são guardiões implacáveis. Sem contar, o serviço que prestam a sociedade através da Polícia, descobrindo drogas, objetos e encontrando pessoas. Cavalo – É um animal que está sempre alerta a qualquer ameaça. Ninguém controla um cavalo em fúria.

         Oxóssi: pavão – territorialista, quando sente que seu território está sendo invadido, luta com o invasor até expulsá-lo. Caso perca a luta, abandona e procura logo outro território. Os machos usam da exuberância de suas caldas, que se transformam em grandes leques coloridos, para conquistar as fêmeas. Enquanto animal de poder, traz a mensagem da transmutação e sabedoria para conquistar novos caminhos, com serenidade e beleza. Periquitos selvagens – animais que não vivem sozinhos, no entanto, são extremamente exigentes na hora de escolher seu par. Quando em bando, é fácil notar as várias personalidades desses animais. É por isso que quando levados ao cativeiro para procriarem, nem sempre aceitam o par que lhes foi imposto. São animais que transmitem alegria, deslumbre e poesia. Coelho – brincalhão e inteligente. Se estressa com facilidade. Tem hábitos noturnos. Silenciosos, mas quando irritados ou machucados, emitem sons bastante estridentes. Enquanto animal de poder, significa abundância e prosperidade.

       Xangô: cágado – estabilidade, organização, longevidade, honra, paciência, sabedoria e determinação. Leão – nobreza, força e coragem. Equilíbrio, lealdade, autoconfiança, potência sexual, liderança. Falcão – realeza, destreza, o que voa mais alto. Proteção e orientação.

            Omolu: cachorro – é grande a ligação deste Orixá com o cachorro, considerando um itan onde Omolu e seu cachorro que sempre o acompanhava, foi seu alento quando estava nas matas muito ferido e só as lambidas do animal acalmavam a dor que sentia. Até que num amanhecer, Omolu percebeu que estava completamente curado.

                Iemanjá: pata branca – animal que faz de tudo um pouco, mas nem sempre com perfeição. E está aí a lição que nos dá: nada é perfeito, pois feito, é melhor do que perfeito. Sua capacidade de adaptação é incrível: voam, nadam e andam. Sendo assim, ele representa o movimento, a mudança. Peixe – representa a fertilidade, abundância, capacidade de superar obstáculos, harmonia e renovação. Cegonha – simboliza o nascimento, o cuidado. Inclusive, sabe-se que essa ave tem por costume cuidar de seus mais velhos, e são extremamente devotadas aos seus filhotes. Enquanto destruidora de serpentes, é considerada uma inimiga poderosa do mal.

             Iansã: búfalo – representa a força do trabalho, resistência, atrevimento, coragem. Um animal considerado por algumas tribos como o animal mais sagrado, guardião dos segredos ancestrais. Borboleta - simboliza a transformação, liberdade, felicidade, inconstância. Uma das curiosidades sobre as borboletas, é que elas têm pequenos olhos em grande quantidade, que lhes favorecem uma super visão. É dito ainda, que as borboletas enxergam os raios ultravioletas.

                Oxum: canário – canto melodioso, beleza, esguios e elegantes. O canário belga inclusive, é muito curioso e inteligente, capaz de memorizar truques e impressionar, como brincar com bolinhas e ir sempre em direção ao seu tutor. Galinha da Angola (etun ou konkém) – animal sagrado na teologia dos Orixás, aquela que traz no alto de sua cabeça, o grande axé(osù). São muito organizadas, cada grupo tem seu líder, que é facilmente identificado na hora da alimentação, pois o mesmo, fica de prontidão enquanto as demais se alimentam, só indo à refeição depois de ter a certeza de que todas se alimentaram. Quando se sentem ameaçadas fazem muito barulho, com isso afugentam seus predadores, que preferem as presas mais silenciosas. Pomba – de acordo com um itan, Xangô por ciúmes, aprisionou Oxum numa torre do seu castelo. Certo dia, Exu passava pelos arredores, quando ouviu o choro da Orixá, e logo levou o acontecido a Orumilá, que preparou um pó e pediu que Exu assoprasse em direção a torre do castelo. Exu assim o fez, e Oxum se transformou numa pomba, conseguindo escapar pelas grades da janela da torre. Desde então, a pomba passou a ser um animal sagrado para os filhos de Oxum.

                Nanã Buruquê: coruja – símbolo da inteligência e sabedoria. Aquela que enxerga além da escuridão da noite, revelando seus mistérios e segredos. Uma visão extraordinária e precisa; além de ouvidos muito apurados, capazes de ouvirem suas presas a um quilômetro de distância. Símbolo das bruxas e feiticeiras, a mais velha das mães ancestrais. As fêmeas são mais pesadas e agressivas que os machos. Paleontólogos possuem documentações de fósseis com mais de 24 milhões de anos. Rã – a ciência mística associa a rã, à relação entre a vida e a morte, renascimento, renovação. Por habitarem ambientes aquáticos, as rãs trazem consigo o simbolismo da purificação e da cura. São capazes de desbloquear energias do corpo e do espírito. Sem esquecer que sua carne é de grande valor nutritivo, auxiliando na cura de inúmeras doenças. Uma das grandes curiosidades sobre a rã, é sua capacidade de mudar de sexo, de acordo com estudos realizados em lagoas de diferentes países. Ou seja: sexo para as rãs, vai depender de como ela irá se adaptar(https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2019/04/ras-sapo-anfibio-perereca-lago-poluicao-genetica-mutacao-sexo-misterio-pesquisa-ciencia#:~:text=da%20Universidade%20de%20Yale.,segundo%20nos%20consta%2C%20acrescenta%20Lambert).

                Oxalá: caramujo: representa a calma, a persistência, a provocação no sentido que damos ao tempo do nosso dia-a-dia. Conhecido nas religiões afro-brasileiras como o boi-de-Oxalá. Pombo branco – símbolo da paz, da reconciliação, o mensageiro das boas novas.

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