O PODER DO PONTO RISCADO
- Luiz de Miranda
- 16 de jul. de 2024
- 4 min de leitura
Atualizado: 11 de mar.
Os pontos riscados na Umbanda trazem muitos fundamentos. Com seus traços e desenhos, a Entidade revela sua linha de trabalho e a finalidade que se dispõe naquela Gira. De acordo com estudiosos, sua origem se dá em Angola e Congo, berços da cultura banto (ou bantu), de onde chegaram os primeiros escravizados no Brasil.
O ponto riscado é uma escrita sagrada que proporciona segurança e firmeza, e ainda, evoca poderes ancestrais, onde cada risco traz uma carga de valores espirituais indispensáveis para a firmeza de uma Gira, como também para o grupo que ali se encontra. Tanto no chão do Terreiro, como no corpo dos médiuns e/ou consulentes, as Entidades usam desse fundamento para dar proteção e desfazer males.
Por vezes, o médium iniciante se sente inseguro na hora de riscar o ponto, quando a Entidade está incorporada, o que é naturalmente compreensível, partindo do princípio de que, enquanto iniciante, se vê na obrigação de responder a todos os ritos pedidos pela Casa que frequenta. No entanto, é bom que se saiba, que o ponto riscado só vem na hora em que o médium estiver devidamente preparado, e consequentemente, relaxado. Pois, é preciso que, enquanto médium de Umbanda, ele conheça suficientemente suas Entidades e suas formas de trabalho.
O fato de um médium por vezes, não ter dado ainda o ponto riscado de sua Entidade, não quer dizer que ele seja inferior àquele que já o fez. Cada médium tem seu tempo e suas habilidades. Um médium, por exemplo, considerado mão-de-pemba, terá muito mais facilidade de executar o ponto riscado, do que aquele médium que não tem tal habilidade. Tudo no tempo de cada um: esse é o fundamento.
Também importante ressaltar, que os símbolos abaixo descritos, podem ter significados variados, pois obedecem a um momento, uma situação, um tipo de trabalho que está sendo realizado. Por exemplo: a cruz pode significar ligação entre os mundos espiritual e material, como também a morte, ou ainda a libertação, e fechamento de corpo...
Aqui será passado um significado genérico:
A cruz : por muito tempo, até mesmo para poder manter vivo seus cultos, os escravizados associaram a cruz, ao Pai Oxalá. Graças ao sincretismo, até hoje tal feito permanece em alguns Terreiros. No ponto riscado ela significa a conexão entre o orun (Céu) e o ayê (Terra), a vitória sobre a morte, o ponto de encontro para trabalhos de cura e para desfazer demandas. Muito associada aos Pretos-Velhos e ao Orixá Omolu.
Seta para baixo: geralmente riscada em frente ao Congá, em direção a corrente dos médiuns, que dependendo de outros símbolos que acompanhe o risco, significa a expansão do axé do Congá para todos na corrente, e ao mesmo tempo o pedido de licença para iniciar os trabalhos naquela Gira. Está associada aos Caboclos e ao Orixá Oxóssi.
Seta para cima: em direção ao Congá, significa a busca do conhecimento, concentração e equilíbrio para o decorrer da Gira. A busca do caminho a se seguir para ter sucesso e prosperidade.
Espiral: um dos mais antigos símbolos ancestrais, simbolizando a evolução e involução, a busca pelo “eu”, a força e energia das grandes magias. A necessidade de renovar-se sempre. O espiral traz renovação de forças e axé para o ambiente ou corpo, onde é riscado.
Setas cruzadas: poderoso ponto de proteção. Evocação aos Caboclos das Matas. Barreira contra demandas e dificuldade de concentração.
Espada: representa a segurança e ordem aos trabalhos na Gira. Evoca o Orixá Ogum, para que caminhos sejam abertos e nenhum mal atrapalhe esse caminhar. Cruzadas e voltadas para cima, simbolizam o fechamento de corpo, o fechamento de toda passagem do mal. Firmeza e ordem na Gira. Cruzadas e voltadas para baixo, simbolizam a permissão de Orixá Ogum para dar seguimento a Gira e seus trabalhos, ao mesmo tempo, simboliza também o fechamento das encruzilhadas, para que Exu não dê passagem aos inimigos.
Ondas no sentido horizontal: linha do mar. No sentido vertical: linha da Oxum
Linha horizontal: plano material
Linha vertical: plano espiritual Coração: busca pelo equilíbrio sentimental, o amor, a força de Oxum.
Chave: busca por novos conhecimentos e soluções de problemas. Abertura de portas para a prosperidade.
Âncora: representa força e resistência. Capacidade para suportar desafios. Símbolo ligado a Iemanjá e Marinheiros.
Punhal: simboliza força, determinação e poder.
Ramos de louro (ou erva da Jurema): símbolo da prosperidade, abertura de caminhos, vitória e abertura de caminhos.
Tridente (arredondado): princípio feminino. A busca pelo equilíbrio: corpo, alma e espírito. Associado as Pombas Giras. Ainda, à sexualidade, fecundação e criação.
Tridente (retos): princípio masculino. Mesma definição do arredondado. Associado aos Exus. Também representando a virilidade, a força e conquistas.
Coração com uma cruz dentro: a esperança, a calma, a fé inabalável. Símbolo associado a Nanã Buruquê.
Machado de duas lâminas (oxé): a justiça, o equilíbrio. Símbolo associado a Xangô.
Coração com ondas na vertical: a busca pelo equilíbrio no amor e nas conquistas. Símbolo associado a Oxum.
Jogo da velha: busca pela vitória. Usado para livrar-se de perturbações espirituais e materiais.
Estrela cadente com ondas: bênçãos para uma nova vida. Proteção de Mãe Iemanjá.
Caveira: simboliza no ponto riscado a morte, a igualdade, a capacidade de resistir e enfrentar adversidades. Representa a Linha das Almas.
Círculo: o todo, o universo. Quando usado em volta de todo o ponto riscado, significa que a Entidade está limitando a energia a um determinado espaço de tempo, pedindo que o ponto só seja apagado depois de alguns dias.
Triângulo: fé, amor e caridade. Equilíbrio pleno entre as forças espirituais e materiais. Conquista.
Cruz com pedestal: vitória sobre a morte. Cura de doenças. Símbolo associado a Omulu/Obaluaiê.

