JUREMA (Parte II)
A BEBIDA
Já falamos da Cabocla Jurema, agora falaremos dos outros significados que carrega esse nome.
A bebida, servida em pequenos goles para as pessoas que fazem parte da religião chamada de Jurema Sagrada, é feita da casca e raízes da árvore de mesmo nome. Uma árvore que resistiu à seca, ao fogo e a inquisição. Pois, quando chegaram os europeus no litoral nordestino, trazendo em suas bagagens elementos do catolicismo, exigiam dos nossos indígenas a conversão à fé cristã e o total abandono às suas práticas milenares, entre elas o uso da bebida jurema.
“Mimosa tenuiflora — A Árvore Espinhosa do Semiárido
A Jurema-preta, Mimosa tenuiflora, é uma árvore da família Fabaceae, a mesma do Feijão e do Pau-brasil. Tem espinhos nos galhos, folhas miúdas divididas em dezenas de folíolos e flores brancas reunidas em espigas perfumadas. Chega a 8 m de altura e pode passar de 4 m em menos de 5 anos.
Ela ocorre do sul do México ao Nordeste brasileiro, passando por El Salvador, Honduras, Panamá, Colômbia e Venezuela. No Brasil, é símbolo da Caatinga e aparece do Ceará à Bahia. No México, é chamada de Tepezcohuite. Durante décadas, os botânicos a classificaram como Mimosa hostilis, nome que ainda circula como sinônimo.
Taninos, Cicatrização e a Árvore que Recupera o Solo
A casca da Jurema-preta é rica em taninos e compostos fenólicos com ação antimicrobiana e cicatrizante. No Nordeste, é remédio popular para feridas, inflamações e dor de dente. No México, a casca em pó do Tepezcohuite é aplicada sobre queimaduras e ferimentos de pele.
A ciência já testou esse uso. Um ensaio clínico mexicano de 2007 obteve bons resultados com um extrato da casca no tratamento de úlceras venosas nas pernas.
Na Caatinga, ela é uma espécie pioneira: está entre as primeiras árvores a ocupar áreas desmatadas ou queimadas. Suas raízes fixam nitrogênio no solo e preparam o terreno para outras plantas.”
A árvore Jurema é hoje patrimônio cultural da Paraíba.
Enquanto bebida, ela é servida em pequenos goles para facilitar e até provocar o transe dos adeptos da Jurema Sagrada. Esse ritual é dirigido pelo (a) Mestre (a) Juremeiro (a).
A bebida jurema, chamada de Vinho da Jurema, é feita com a casca da raiz ou do tronco da árvore de mesmo nome, acrescentando ervas e especiarias, ficando em repouso por no mínimo 24 horas. Essa bebida não deve ser tomada por pessoas que não possuam o conhecimento necessário para manusear seus ingredientes.



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