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ROUPA BRANCA NA SEXTA-FEIRA

  • Foto do escritor: Luiz de Miranda
    Luiz de Miranda
  • 12 de jun.
  • 2 min de leitura
Pessoas passeando na rua de roupa branca

Na Umbanda, o dia de sexta-feira é consagrado ao Pai Oxalá, o Senhor da criação, e no Candomblé, o Orixá funfun (branco, em iorubá), igualmente o Senhor da vida. É de costume , e, em algumas Casas até obrigatório, o uso de roupa branca na sexta-feira em homenagem a esse importante e reverenciado Orixá.


Nas correntes de médiuns da Umbanda, o uso da roupa branca é obrigatório. Tal atitude vem da intenção de dizer que todos somos iguais perante nossos Guias e Orixás, abrindo mão das vaidades e do ego.


No entanto, usar o branco na sexta-feira, de acordo com o Sheikh Abdul Hameed Ahmad, líder espiritual da comunidade mulçumana baiana, tal costume deriva do comportamento dos escravizados islâmicos trazidos para Salvador-BA, que marcaram com grande evidência a cultura e a religiosidade neste local. Eram conhecidos como malês, dotados de alto nível de instrução, por terem sido alfabetizados em árabe. E ainda detinham uma forte capacidade de organização que os fizeram famosos no grande e talvez o maior levante urbano contra a escravidão: a revolta dos malês. Tinham como costume vestirem-se de branco todas as sextas-feiras, obedecendo as ordens contidas no Alcorão que afirma aos seguidores da religião, se vestirem de roupas claras para homenagear Alá, considerado por eles o Criador do universo. Tal costume então, passa também a fazer parte do comportamento dos escravizados que cultuavam os Orixás, que igualmente, faziam da sexta-feira um dia especial, só que, para se conectar a Oxalá de forma pura e serena em gratidão e respeito ao Senhor da vida.


A convivência na dificuldade desses povos gerou formas e saberes de resistência e boa convivência. Algo que se deve entender como forma de sobrevivência e também de união de forças, onde o que era sagrado para uns, se fazia sagrado também para os outros. Mas, sem nenhum dos lados perder sua essência e fundamentos. Ou seja: usar branco nas sextas-feiras não é um fundamento da Umbanda, é apenas um costume adquirido para de maneira singela e expressiva se conectar com o Pai da Criação: Oxalá. Já que, Alá, igualmente Pai da Criação, era homenageado por seus seguidores da mesma forma, só que com fundamentos e entendimentos distintos.


No Brasil, usar o branco nas sextas-feiras é considerado também um ato político, onde os seguidores das religiões de matriz africana fazem questão de confessar sua fé publicamente.





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evovexufix02
01 de jul.

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SUA FÉ É RESPEITADA?

          No ano de 1990, meses antes de perder sua irmã de 29 anos de idade para um adenocarcinoma no mediastino, o Pai no Santo passa por uma experiência extremamente desagradável e revoltante, que bem retrata o racismo religioso no Brasil. Isso aconteceu no Iaserj, um hospital para os servidores do Estado do Rio de Janeiro. Era por volta das dezesseis horas. Enquanto acompanhante da irmã, ele decide ir tomar café num bar próximo ao hospital e retorna vinte minutos depois. Tempo que foi suficiente para um pastor entrar no quarto e oferecer uma oração. Voltando então do seu café, ele encontra a irmã que já vinha extremamente debilitada por conta da doença, agora, com semblante ainda mais triste e constrangido. Ele então procura levar palavras de consolo e ânimo, ao que ela responde: “_ Meu irmão, por favor, não quero que esse tipo de religioso venha fazer oração pra mim.” Ele de imediato, pergunta:  “_ O que houve?” Ela então relata o ocorrido: “_ Quando você saiu para tomar seu café, um homem de terno se apresentou como pastor da igreja universal e me perguntou se podia fazer uma oração pra mim, Como ele parecia ser uma boa pessoa e foi muito educado, eu disse que sim. Ele fez a oração, pediu pela minha saúde, e em seguida me perguntou se eu aceitava Jesus Cristo como salvador, e eu respondi que sim. Ele então disse que a partir daquele momento eu estava curada. Só que ele então perguntou qual era minha religião, o que eu respondi, que era espírita. Então ele me disse que eu teria que renegar minha religião. Eu disse que não, jamais iria renegar minha fé. Daí ele falou que infelizmente o câncer voltaria e me levaria pros braços da morte. Eu disse a ele que preferia morrer, a ter que conviver com cristãos como ele. Não quero irmão, não quero esse tipo de gente fazendo oração pra mim.”

            Em outra ocasião, anos depois, o racismo e a intolerância religiosa voltam a atacar o Pai no Santo. Dessa vez, no Hospital Regional Darci Vargas, em Rio Bonito. Indo visitar um Filho de Santo na Unidade Intensiva, o Pai no Santo se depara com uma senhora que estava ao lado do leito de seu filho perguntando se podia fazer uma oração. Como o doente estava sob efeito de fortes medicamentos, não tinha condições de responder; o que fez com que a mulher iniciasse a sua oração. Em voz alta e de tom feroz, ela dizia: “ _ Em nome do Senhor Jesus eu expulso os demônios de Pombagira, Exu, Ogum e todos os demônios dos tambores, das encruzilhadas... .” quando então foi interrompida pelo Pai de Santo; gerando na mulher um comportamento agressivo e ameaçador. Dizia ela, agora em tom mais elevado de voz: “_ Você não pode querer calar a voz de uma ministra de Deus. Seus demônios serão jogados por terra... .” quando então o Pai no Santo pediu ao funcionário responsável pela vigilância da Unidade, que retirasse a mulher do ambiente. No que foi prontamente atendido.

            Esses são dois exemplos dos milhares de outros que acontecem todos os dias, atingindo seguidores das religiões de matriz afro-brasileira. E não é à toa, afinal, não faltam umbandistas que se silenciam diante de tais fatos, e como se não bastasse o silêncio, ainda permitem que seguidores de outras religiões lhes imponham sua fé como sendo superior as demais.

            O Umbandista de fato, sabe sua origem, conhece seus Santos, suas rezas, seus cantos e louvores. Não é de hoje que a Umbanda se livrou do peso do sincretismo, dos santos que nunca foram seus, dos ritos e rituais que nunca lhes pertenceram. O Umbandista de fato, sabe a quem recorrer nas horas de aflição e desespero, e não precisa que outro religioso venha em seu socorro para rezar ou orar. Sim, não precisa! Sabe por quê? Porque o Umbandista sabe que aquela pessoa não está oferecendo uma oração para aliviar teu sofrimento. De forma dissimulada, ela quer que o Umbandista negue sua religiosidade, abandone seus Guias e Orixás. Como pode uma pessoa que frequentemente está na igreja ouvindo e dando glórias a voz de um padre ou pastor, e que não mede palavras para demonizar a Umbanda, orar por quem é Umbandista? De que vale uma oração que sai da mesma boca que chama nossos Santos de demônios?

            O Umbandista de fato, sabe o poder de seus Santos, o sangue que derramaram, o suor sofrido e causticante ardendo na pele preta, o fogo impiedoso das fogueiras da inquisição, a lâmina cortante e afiada das guilhotinas. O Umbandista de fato, sabe que seus ancestrais e antepassados morreram para garantir a liberdade aos seus  descendentes. Trazidos à força e amontoados nos navios negreiros, chegam ao Brasil e são obrigados a se batizarem do lado de fora das Igrejas, porque de acordo com as interpretações bíblicas, o preto era um ser sem alma, amaldiçoado...

            Quando um Umbandista respeita outras manifestações religiosas, não quer dizer que ele tenha que se subjugar. Os Santos da Umbanda também têm suas histórias, sua cultura, suas bênçãos e seus poderes.

            Seu Orixá está vivo e pulsante em você. Não deixe que o matem!

                                                                                                   (Luiz de Miranda-Pai no Santo)

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