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MARIWO: A proteção de Ogum

filho de Ogum em transe

O poder das folhas é incontestável, são elas que trazem o axé dos Orixás para os Terreiros de Umbanda. Sem folha não há Orixá, uma frase repetida há séculos por adeptos das religiões afro-brasileiras, e que ecoam até hoje em seus ritos e rituais.

              E a folha do dendezeiro, mostra a que veio: pertencente ao Orixá Ogum, devidamente preparada, encantada, desfiada e pendurada nas portas, cumpre a missão de proteger e guardar os filhos e filhas daquela comunidade. É o mariwo: a roupa de Ogum, aquela que acalma sua ira e traz sua proteção. Preparar o mariwo é um rito de muita responsabilidade, é dito inclusive, que só os homens devem desfiar a folha da igi òpè (dendezeiro), e devem fazê-lo com muita calma e paciência.

                                                                                                                                                                Algumas Casas de Umbanda, mais ligadas as tradições africanas, expõem os mariwos em suas portas, principalmente nos mês de Abril, período dedicado ao Orixá Ogum.


               Uma antiga lenda, conta que havia um mercado na cidade de Ire, conhecido por ser um mercado cheio de sofrimento, mas que apesar do sofrimento, o grande Deus da Adivinhação, Orunmilá conseguiu lá a sua prosperidade. Sabendo disso, Òsàlá também almejou a prosperidade, procurando saber com Orunmilá, o que ele deveria fazer para passar pelo sofrimento e conseguir o seu objetivo. Orunmilá recomendou à Òsàlá que fosse ao mercado, mas que tivesse muita paciência, pois assim conseguiria sua prosperidade. Assim Oxalá o fez. Na primeira ida ao mercado, Oxalá não encontrou nada, somente um Ìgbín (caramujo consagrado a Oxalá), cobrando-lhe pedágio. Oxalá novamente foi ao mercado e não encontrou nada, além do sofrimento e do Ìgbín que novamente lhe cobrou o pedágio. Mesmo a contragosto, Oxalá recordou-se que deveria ter paciência, caso desejasse a prosperidade. Na terceira vez que foi ao mercado, ele novamente pagou o pedágio ao Ìgbín, contudo, ao invés de sofrimento, ele encontrou uma grande riqueza, o tornando um grande Rei próspero.

Ao saber que Oxalá havia conseguido sua prosperidade no mercado do sofrimento, Ogum também procurou saber com Orunmilá, como também tornar-se próspero. Orunmilá lhe disse que ele deveria ser paciente e, em hipótese alguma, deveria usar o seu Alada (Facão) e seu Porrete (Kumo).Ogum de posse das orientações de Orunmilá, foi até o mercado do sofrimento, chegando lá deparou-se com um cachorro no portão, cobrando-lhe pedágio para entrar. Ogum achou inaceitável um cachorro lhe cobrar pedágio e, num impulso imediato, pegou seu Alada, ferindo o cachorro até a morte.

Todos gritaram: “Ele matou o Onibode” (o guardião do portão), todos começaram a chorar e, com vergonha, Ogum correu mata adentro, onde havia uma grande plantação de Labelabe (uma planta cortante, chamada em Salvador de tiririca). As folhas de labelabe cortaram toda a roupa de Ogum. Quando ele saiu da mata, chegando a praça principal da cidade, ele estava completamente nu. As pessoas então gritaram “Ògún Kolaso” (Ogun não se cobre com roupas). Novamente envergonhado, Ogum olhou um Igi Ope, arrancando-lhe o broto e vestindo-se com o Màrìwò. As pessoas, por sua vez, exclamaram: “Màrìwò Asò Ògún-o Màrìwò” (Mariwo é a roupa de Ogum, o Mariwo). Como forma de arrependimento, Ogum desde então, passou a usar o Màrìwò como a sua vestimenta.


Outra:


Um pobre homem peregrinava por toda parte, trabalhando ora numa, ora noutra plantação. Mas os donos da terra sempre o despediam e se apoderavam de tudo o que ele construía. Um dia esse homem foi a um babalawo, que o mandou fazer um ebó na mata. Ele juntou o material e foi fazer o despacho, mas acabou fazendo tal barulho que Ogum, o dono da mata, foi ver o que ocorria. O homem, então, deu-se conta da presença de Ogum e caiu a seus pés, implorando seu perdão por invadir a mata. Ofereceu-lhe todas as coisas boas que ali estavam. Ogum aceitou e satisfez-se com o ebó. Depois conversou com o peregrino, que lhe contou por que estava naquele lugar proibido. Falou-lhe de todos os seus infortúnios. Ogum mandou que ele desfiasse folhas de dendezeiro, mariwo, e as colocasse nas portas das casas de seus amigos, marcando assim cada casa a ser respeitada, pois naquela noite Ogum destruiria a cidade de onde vinha o peregrino. Seria destruído até o chão. E assim se fez.

Ogum destruiu tudo, menos as casas protegidas pelo mariwo.

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