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A MULHER NA UMBANDA

Foto do escritor: Luiz de MirandaLuiz de Miranda


Diferente das religiões cristãs, onde a mulher é representada pelas figuras de Eva e Maria, deixando clara a posição de submissão, virgindade, abnegação e até mesmo de pecado (no caso de Eva), a Umbanda e religiões de matrizes africanas destacam a mulher como seres imprevisíveis, corajosas, empoderadas e com grande poder de liderança.

Na Umbanda, homens e mulheres caminham lado a lado sem disputas de poder ou qualquer tipo de preconceito, todos têm as mesmas oportunidades, responsabilidades e compromissos. No entanto, é sabido que o lugar da mulher tem um destaque, em razão da sua luta, sofrimentos e conquistas. O homem sempre “reinou” absoluto na formação de uma sociedade patriarcal e machista; enquanto a mulher precisou de séculos de luta para conquistar o seu lugar e se manter nele.

As Mães Orixás (Yabás) cultuadas na Umbanda estiveram sempre à frente das grandes lutas e batalhas: seja para defenderem seus reinos, seja para fazerem valer suas reivindicações e direitos. Apaixonadas e apaixonantes, amadas e amantes, vaidosas, sagazes, impetuosas, corajosas, sensuais, destemidas, provocadoras, empoderadas... comportamentos e personalidades que a religião cristã, através da demonização e de leis cruéis e mortais (decapitação, fogueira, tortura...) de tudo fez para apagar. Não conseguiram!


Nanã Buruquê: a mulher idosa, avó. A que mantém viva a memória das lutas de nossos ancestrais e antepassados,valorizando a importância das tradições e da ética, a que educa com paciência e cobra com austeridade. A Senhora dos pântanos e das chuvas. Aquela que nos ensina que o silêncio por vezes, é a melhor resposta para alcançarmos nossos objetivos.


Oxum: a senhora dos rios e cachoeiras. Mulher vaidosa, Dona do ouro, coquete, detentora dos princípios da fecundidade feminina, protetora das crianças. Mãe do mel, benevolente e doce, acalma os mais conturbados corações, mas guarda no fundo dos seus rios, segredos, que para conhecê-los, há de se ter cuidado: não maltrate seu coração, você pode se afogar. Orixá do amor! Aquela que nos pergunta: onde está o seu tesouro? Você já aprendeu a se amar?


Iansã: rainha das tempestades, raios e ventanias. Guerreira por excelência, determinada, corajosa, alegre, impetuosa. Aquela que é capaz de se transformar num búfalo, mas também pode ser uma borboleta; tudo vai depender da ocasião e de como ela é tratada. Aquela que faz da vida um grande acontecimento, e ai de quem quiser parar Iansã! É ela que nos pergunta: você é livre?


Iemanjá: a mãe de todos, a Rainha do mar. Mãe da vida que sustenta seus filhos e por eles luta destemidamente. A Senhora da família, aquela que zela para a harmonia dos lares; o colo que acalma, o canto que faz dormir. É ela que nos diz: mar calmo não faz marinheiro hábil.


No que diz respeito aos cultos às Entidades, vê-se na Umbanda a falange das Caboclas, representando o arquétipo das mulheres que respeitando suas tradições e costumes, além de criarem seus filhos, não deixam de empunhar suas lanças, arcos e flechas e garantirem, desta forma, o sustento e a proteção às suas tribos. E são elas que nos dizem: respeitar as tradições não é se submeter a velhos e retrógrados hábitos.


Quanto as Pombagiras, observa-se a mulher que apesar dos preconceitos e ataques que sofreram e ainda sofrem, não desistem de acreditar em si mesmas, construindo a cada dia uma história de superação, coragem , liberdade e empoderamento, valorizando a importância da mulher na sociedade. Aquela que aceita as rosas com espinhos e nela segura sem se machucar. É ela que nos diz: não maltrate um coração de uma mulher, você vai pagar.


E assim, a Umbanda mostra ao mundo a grande força da mulher!


SARAVÁ O DIA 08 DE MARÇO: DIA INTERNACIONAL DA MULHER!


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Patricia Martiliano
Patricia Martiliano
Mar 07, 2024
Rated 5 out of 5 stars.

respeitar as tradições não é se submeter a velhos e retrógrados hábitos.

Está frase eu vou guardar para a vida.

Que texto lindo. Parabéns

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SUA FÉ É RESPEITADA?

          No ano de 1990, meses antes de perder sua irmã de 29 anos de idade para um adenocarcinoma no mediastino, o Pai no Santo passa por uma experiência extremamente desagradável e revoltante, que bem retrata o racismo religioso no Brasil. Isso aconteceu no Iaserj, um hospital para os servidores do Estado do Rio de Janeiro. Era por volta das dezesseis horas. Enquanto acompanhante da irmã, ele decide ir tomar café num bar próximo ao hospital e retorna vinte minutos depois. Tempo que foi suficiente para um pastor entrar no quarto e oferecer uma oração. Voltando então do seu café, ele encontra a irmã que já vinha extremamente debilitada por conta da doença, agora, com semblante ainda mais triste e constrangido. Ele então procura levar palavras de consolo e ânimo, ao que ela responde: “_ Meu irmão, por favor, não quero que esse tipo de religioso venha fazer oração pra mim.” Ele de imediato, pergunta:  “_ O que houve?” Ela então relata o ocorrido: “_ Quando você saiu para tomar seu café, um homem de terno se apresentou como pastor da igreja universal e me perguntou se podia fazer uma oração pra mim, Como ele parecia ser uma boa pessoa e foi muito educado, eu disse que sim. Ele fez a oração, pediu pela minha saúde, e em seguida me perguntou se eu aceitava Jesus Cristo como salvador, e eu respondi que sim. Ele então disse que a partir daquele momento eu estava curada. Só que ele então perguntou qual era minha religião, o que eu respondi, que era espírita. Então ele me disse que eu teria que renegar minha religião. Eu disse que não, jamais iria renegar minha fé. Daí ele falou que infelizmente o câncer voltaria e me levaria pros braços da morte. Eu disse a ele que preferia morrer, a ter que conviver com cristãos como ele. Não quero irmão, não quero esse tipo de gente fazendo oração pra mim.”

            Em outra ocasião, anos depois, o racismo e a intolerância religiosa voltam a atacar o Pai no Santo. Dessa vez, no Hospital Regional Darci Vargas, em Rio Bonito. Indo visitar um Filho de Santo na Unidade Intensiva, o Pai no Santo se depara com uma senhora que estava ao lado do leito de seu filho perguntando se podia fazer uma oração. Como o doente estava sob efeito de fortes medicamentos, não tinha condições de responder; o que fez com que a mulher iniciasse a sua oração. Em voz alta e de tom feroz, ela dizia: “ _ Em nome do Senhor Jesus eu expulso os demônios de Pombagira, Exu, Ogum e todos os demônios dos tambores, das encruzilhadas... .” quando então foi interrompida pelo Pai de Santo; gerando na mulher um comportamento agressivo e ameaçador. Dizia ela, agora em tom mais elevado de voz: “_ Você não pode querer calar a voz de uma ministra de Deus. Seus demônios serão jogados por terra... .” quando então o Pai no Santo pediu ao funcionário responsável pela vigilância da Unidade, que retirasse a mulher do ambiente. No que foi prontamente atendido.

            Esses são dois exemplos dos milhares de outros que acontecem todos os dias, atingindo seguidores das religiões de matriz afro-brasileira. E não é à toa, afinal, não faltam umbandistas que se silenciam diante de tais fatos, e como se não bastasse o silêncio, ainda permitem que seguidores de outras religiões lhes imponham sua fé como sendo superior as demais.

            O Umbandista de fato, sabe sua origem, conhece seus Santos, suas rezas, seus cantos e louvores. Não é de hoje que a Umbanda se livrou do peso do sincretismo, dos santos que nunca foram seus, dos ritos e rituais que nunca lhes pertenceram. O Umbandista de fato, sabe a quem recorrer nas horas de aflição e desespero, e não precisa que outro religioso venha em seu socorro para rezar ou orar. Sim, não precisa! Sabe por quê? Porque o Umbandista sabe que aquela pessoa não está oferecendo uma oração para aliviar teu sofrimento. De forma dissimulada, ela quer que o Umbandista negue sua religiosidade, abandone seus Guias e Orixás. Como pode uma pessoa que frequentemente está na igreja ouvindo e dando glórias a voz de um padre ou pastor, e que não mede palavras para demonizar a Umbanda, orar por quem é Umbandista? De que vale uma oração que sai da mesma boca que chama nossos Santos de demônios?

            O Umbandista de fato, sabe o poder de seus Santos, o sangue que derramaram, o suor sofrido e causticante ardendo na pele preta, o fogo impiedoso das fogueiras da inquisição, a lâmina cortante e afiada das guilhotinas. O Umbandista de fato, sabe que seus ancestrais e antepassados morreram para garantir a liberdade aos seus  descendentes. Trazidos à força e amontoados nos navios negreiros, chegam ao Brasil e são obrigados a se batizarem do lado de fora das Igrejas, porque de acordo com as interpretações bíblicas, o preto era um ser sem alma, amaldiçoado...

            Quando um Umbandista respeita outras manifestações religiosas, não quer dizer que ele tenha que se subjugar. Os Santos da Umbanda também têm suas histórias, sua cultura, suas bênçãos e seus poderes.

            Seu Orixá está vivo e pulsante em você. Não deixe que o matem!

                                                                                                   (Luiz de Miranda-Pai no Santo)

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